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Direito Administrativo · VUNESP · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Considere que Pedro, servidor público do Município X, recebeu mil reais de Paulo, para fazer declaração falsa sobre a quantidade, peso e qualidade de mercadorias fornecidas ao Município X. Com base na situação hipotética e no disposto na Lei de Improbidade Administrativa, é correto afirmar que

Gabarito: B

A situação descreve, em tese, ato de improbidade por oferecimento e recebimento de vantagem indevida para que o servidor produza declaração falsa em documento ligado ao Município. Na Lei 8.429/1992, após a reforma da Lei 14.230/2021, a regra é que a improbidade exige dolo, isto é, vontade livre e consciente de praticar a conduta ímproba e alcançar o resultado proibido em lei. Não basta simples descuido, imprudência ou "ah, fiz sem querer" - improbidade não combina com amadorismo inocente. Por isso, a banca cobra justamente a ideia de que, para haver ato de improbidade, é necessária a comprovação do dolo. O enunciado fala em servidor que recebeu dinheiro para fazer declaração falsa, o que aponta para conduta intencional, mas a alternativa correta é a que traz a exigência do elemento subjetivo adequado. Isso está alinhado ao art. 1º, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei 8.429/1992, que consolidam o regime doloso como regra geral da improbidade. As demais alternativas misturam regras antigas, exageram sanções ou tratam mal a responsabilidade dos sucessores. Em prova, a VUNESP gosta de trocar detalhe legal por afirmação grandiosa: parece convincente, mas escorrega em número, prazo ou fundamento. Então, aqui, a chave é lembrar: improbidade administrativa hoje exige dolo, salvo discussões específicas sobre hipóteses legais bem delimitadas, e a simples voluntariedade sem consciência do ilícito não basta.

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