Júlio, aprovado em primeiro lugar no concurso público para exercer o cargo de médico para provimento efetivo do plano de carreira dos cargos técnico-administrativos em educação, regido pela lei 8.112/90, possui entre outras atribuições, a de realizar consultas e atendimentos médicos 3 (três) vezes por semana na instituição. Um de seus pacientes, Roberto, foi diagnosticado com o vírus HIV, causador da Aids (Acquired Immunodeficiency Syndrome). Esse paciente era um antigo rival político de seu pai (ex-prefeito da cidade), que, após o término de seu mandato, foi acusado injustamente por Roberto pela prática do crime de peculato por não devolver o telefone institucional da prefeitura. Dessa forma, Júlio resolveu se vingar de Roberto e revelou na cidade toda que ele estava acometido com o vírus HIV, com o intuito de ofender sua dignidade, fato esse de que teve conhecimento em razão do exercício de suas atribuições, mas que deveria permanecer em segredo. Roberto, muito constrangido com a situação, requereu à autoridade administrativa competente na instituição a instauração de processo administrativo contra o servidor para apurar a prática do ato de improbidade administrativa, que, no final do processo, foi reconhecido. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas em legislação específica, conforme dispõe a lei nº 8.429/92, pelo ato de improbidade praticado, Júlio estará sujeito a qual sanção?
- A)Perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Correta. Reproduz as sanções do art. 12, III, da Lei 8.429/1992 para ato atentatorio aos principios, na redação aplicada pela prova.
- B)Perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Incorreta. Indica suspensão de oito anos, prazo associado a outra categoria de improbidade, não ao ato de revelar segredo funcional da hipótese.
- C)Perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três anos, pagamento de multa civil de até dez vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Incorreta. A multa de até dez vezes a remuneração e a suspensão fixa de três anos não correspondem ao regime sancionatorio correto da questão.
- D)Perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a oito anos, pagamento de multa civil de até dez vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
Incorreta. A suspensão de três a oito anos e a multa de até dez vezes não refletem o art. 12, III, usado para ato que viola principios.
Gabarito: A
Na Lei 8.429/1992 vigente ao tempo da prova, revelar fato ou circunstância de que o agente teve ciencia em razão das atribuicoes e que devia permanecer em segredo configurava ato de improbidade que atentava contra os principios da Administração. As sanções do art. 12, III, incluíam perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, multa civil de até cem vezes a remuneração e proibicao de contratar ou receber beneficios por três anos.