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Direito Administrativo · Instituto AOCP · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Um promotor de Justiça recebe 4 (quatro) representações (notícias de fato), cada uma delas solicitando a instauração de inquérito civil para apuração de possíveis irregularidades em matéria de servidor público. Todas vieram instruídas com documentos que comprovam a veracidade dos fatos nelas indicados. Assinale a opção em que o Promotor de Justiça deve acolher a representação (notícia de fato), instaurando o competente inquérito civil.

Gabarito: D

Aqui o ponto central é a regra do concurso público e a exceção dos cargos em comissão. A Constituição, no art. 37, II, exige concurso para investidura em cargo ou emprego público, e no art. 37, V, diz que cargo em comissão só pode ser usado para atribuições de direção, chefia e assessoramento. Ou seja: cargo em comissão não é uma porta lateral para colocar gente em função burocrática, técnica ou operacional. Isso seria um jeitinho constitucionalmente proibido, e o STF trata essa prática como burla à regra do concurso. Na alternativa D, a lei municipal cria cargos em comissão para atividades meramente burocráticas, técnicas, operacionais e profissionais. Essas funções são típicas de cargos efetivos, porque não envolvem confiança política nem assessoramento direto. Pior ainda: as atribuições só são definidas depois, por decreto, o que reforça a tentativa de mascarar um cargo que deveria ser provido por concurso. Na prática, a Administração não pode inventar cargo em comissão com nome pomposo para escapar do concurso. Se a atividade é permanente, técnica e sem traço de confiança, o caminho constitucional é o provimento efetivo. Por isso, a representação deve ser acolhida: há indício claro de burla à Constituição.

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