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Direito Administrativo · Instituto AOCP · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Marta atuava em cargo comissionado, mas foi exonerada. No ato de exoneração, constou como motivação o nepotismo. Contudo, no mês seguinte, foi constatado que a motivação de sua exoneração não existia. Diante do exposto, assinale a alternativa correta.

Gabarito: C

A exoneração de cargo em comissão, em regra, é ato administrativo discricionário e pode ocorrer sem necessidade de motivação, porque esse tipo de cargo tem natureza de livre nomeação e exoneração. Mas aqui a questão traz um detalhe decisivo: a Administração motivou o ato e apontou uma causa específica, o nepotismo. Quando isso acontece, entra em cena a teoria dos motivos determinantes. Essa teoria diz o seguinte: se a Administração resolveu explicar o motivo do ato, ela fica vinculada a essa justificativa. Se o motivo declarado não existia, era falso ou era juridicamente inadequado, o ato fica contaminado e pode ser anulado. Em outras palavras, a motivação vira uma “trava” para a validade do ato. É o famoso: falou o motivo, agora tem que ser verdade. No caso, a exoneração foi motivada por nepotismo, mas depois se constatou que essa motivação não existia. Isso torna o ato inválido, porque houve desconexão entre o motivo declarado e a realidade. A doutrina administrativa e a jurisprudência dos tribunais superiores reconhecem essa lógica da teoria dos motivos determinantes. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Ela identifica corretamente que, tendo havido motivação, a inexistência ou falsidade da causa apontada leva à nulidade do ato administrativo.

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