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Direito Administrativo · FURB · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Carlos, Prefeito de um município catarinense, utilizou recursos públicos para custear despesas pessoais, como viagens de lazer e aquisição de bens de luxo. Essas condutas configuram atos de improbidade administrativa. Sobre o tema, assinale a alternativa correta:

Gabarito: D

A Lei de Improbidade Administrativa foi bem endurecida no ponto central: hoje, como regra, não basta conduta ruim, descuidada ou até gravemente culposa. Para haver improbidade, a lei exige dolo, isto é, vontade livre e consciente de praticar a conduta proibida. Em outras palavras: não é qualquer erro de gestão que vira improbidade, e o processo não pode transformar incompetência administrativa em sanção automática. No caso do prefeito que usou dinheiro público para pagar viagens de lazer e comprar bens de luxo, a lógica é simples: isso aponta para desvio intencional de recursos públicos para benefício pessoal. Esse tipo de conduta se encaixa na ideia de ato doloso, com finalidade ilícita, o que satisfaz o núcleo exigido pela Lei 8.429/1992, com a redação dada pela Lei 14.230/2021. Por isso, a alternativa D está correta ao afirmar que o elemento essencial é o dolo e a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito tipificado na lei, não bastando mera voluntariedade. A própria lei reforça que a responsabilidade por improbidade depende da demonstração do elemento subjetivo exigido no tipo, e a ausência de prova do dolo afasta a condenação por improbidade. Um detalhe importante para prova: após a reforma, a improbidade deixou de ser um terreno amigável para punição por culpa. A banca gosta de testar justamente essa virada, misturando condutas claramente ilícitas com ideias antigas sobre culpa grave. Aqui, o ponto decisivo não é só que a conduta ofende o interesse público, mas que houve intenção dolosa de usar o dinheiro público de modo indevido.

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