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Direito Administrativo · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Tício estava no interior de uma loja de fogos de artifício de sua cidade a fim de comprar diversos itens para a festa junina que se aproximava quando se deu uma grande explosão que lhe causou queimaduras e destruiu seus pertences. Considerando a legislação em vigor e a jurisprudência atualizada, é correto afirmar que:

Gabarito: E

Aqui a ideia central é separar duas coisas: o fato de a atividade ser privada e o dever de fiscalização do Município. O comércio de fogos de artifício é atividade de risco e pode exigir licença, vistorias e controle do poder público, mas isso não transforma o Município em segurador universal de qualquer acidente que aconteça na loja. A responsabilidade do Estado por omissão não é automática. Em regra, ela depende de haver um dever jurídico específico de agir e de o ente público conhecer, ou ao menos poder conhecer com clareza, a irregularidade e ainda assim deixar de atuar. É a velha lógica do "podia e devia ter impedido, mas ficou olhando". Por isso, quando o poder público tem ciência de irregularidades no funcionamento do estabelecimento, de armazenamento inadequado, de ausência de cautelas ou de risco concreto e não adota as providências de fiscalização cabíveis, pode surgir responsabilidade civil por omissão específica, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição. A jurisprudência do STF e do STJ trata esse tipo de omissão como hipótese em que a falha estatal na atuação fiscalizatória pode gerar dever de indenizar. Então, o gabarito está correto porque não basta dizer que a atividade é privada nem que houve simples pedido de licença. O ponto decisivo é a omissão do Município diante de irregularidades conhecidas, pois aí o dano deixa de ser um azar puro e passa a ter relação com a falha do serviço de fiscalização.

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