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Direito Administrativo · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

O Estado X ajuizou ação por ato de improbidade administrativa em face de Flávio e quatro sociedades empresárias. Como causa de pedir, sustentou que Flávio, enquanto Secretário Estadual de Saúde, em ajuste com as pessoas jurídicas, ocasionou superfaturamento na aquisição de insumos utilizados em hospitais da rede estadual de saúde. Anteriormente, já tramitava junto ao Tribunal de Contas do Estado X, em fase preliminar, tomada de contas especial instaurada para apuração dos fatos, identificação dos responsáveis e quantificação de dano ao erário referente aos mesmos acontecimentos que constituem causa de pedir manifestada pela Fazenda Estadual. A respeito da situação acima descrita, assinale a afirmativa correta

Gabarito: B

A questão mistura dois temas que a FGV adora: improbidade administrativa e a relação entre a atuação do Judiciário e dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas. Aqui, a ideia central é simples: o fato de existir tomada de contas especial no TCE não impede, por si só, a ação de improbidade. As instâncias são, em regra, independentes. Ou seja, o TCE apura contas, dano e responsabilização administrativa, mas isso não “trava” automaticamente a ação judicial por improbidade. No caso da Lei de Improbidade Administrativa, após a contestação e a réplica, o juiz deve fazer o enquadramento jurídico com precisão, delimitando a tipificação do ato imputado, mas sem brincar de “trocar a história” do processo. Em outras palavras: ele pode ajustar a capitulação jurídica, porque vale a máxima iura novit curia, mas não pode alterar os fatos principais narrados na inicial nem surpreender a defesa com uma causa de pedir totalmente diferente. É exatamente isso que torna a letra B correta. A redação está alinhada com a lógica processual da LIA: o juiz pode refinar a tipificação do ato de improbidade com base nos fatos já expostos, preservando o contraditório e a defesa. Isso evita decisões soltas no ar, mas também impede que o magistrado reescreva o processo do zero. Em resumo: TCE não extingue ação de improbidade automaticamente; o Estado pode ter legitimidade conforme o regime vigente; e sanções administrativas não bloqueiam, por si sós, a atuação judicial. O que manda aqui é separar bem as instâncias e não confundir apuração de contas com julgamento de improbidade.

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