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Direito Administrativo · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Tício, servidor público, praticou ato que não se insere no âmbito de sua competência. Posteriormente, o processo gerado a partir do referido ato foi encaminhado a Caio, servidor com efetiva competência. No caso em tela, de acordo com a doutrina e a jurisprudência dominantes, é correto afirmar que, em regra:

Gabarito: A

A questão trata da convalidação do ato administrativo, isto é, da correção de um defeito que pode ser sanado sem prejuízo ao interesse público. A regra clássica, prevista na Lei 9.784/1999, art. 55, e aceita pela doutrina e jurisprudência, é que a Administração pode convalidar atos com vícios de competência e de forma, desde que não haja lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros. Aqui, Tício praticou um ato fora de sua competência, mas o processo foi depois encaminhado a Caio, que tinha competência para praticá-lo. Isso aponta para vício de competência, que em regra é sanável. Por isso, o ato pode ser convalidado, e os efeitos já produzidos podem ser aproveitados, em vez de simplesmente jogar tudo fora como se nada tivesse acontecido. O ponto importante é separar vício de competência de vício de matéria. Quando o problema é quem praticou o ato, a correção pode ser possível. Já quando o problema é o conteúdo do ato, a coisa muda de figura, porque aí geralmente não há conserto por convalidação. A banca gosta muito dessa diferença, porque ela parece pequena, mas derruba muita gente. Assim, a alternativa A está correta porque descreve o efeito típico do vício de competência: ato anulável e passível de convalidação, com preservação dos efeitos regulares já produzidos, conforme a lógica do art. 55 da Lei 9.784/1999.

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