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Direito Administrativo · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Caio, durante trajeto habitual do seu dia a dia, foi assaltado em transporte coletivo municipal (ônibus pertencente à pessoa jurídica de direito privado concessionária do serviço público), sofrendo dano material, tendo sido levados todos os bens que portava na ocasião. Os assaltantes fugiram, e nada foi recuperado. Considerando a jurisprudência e a legislação em vigor, é correto afirmar que:

Gabarito: B

Quando o dano acontece durante a prestação de serviço público por concessionária, a regra é a responsabilidade objetiva, nos termos do art. 37, 6º, da Constituição. Em outras palavras: não precisa provar culpa da empresa, basta mostrar o dano e o nexo com o serviço. Até aí, o jogo é simples. Só que responsabilidade objetiva não significa responsabilidade infinita. A jurisprudência admite excludentes, como o fato exclusivo de terceiro, quando o evento é estranho à atividade de transporte. É justamente o caso de assalto praticado por criminosos dentro do ônibus, em situação em que o roubo não decorre de falha própria do serviço, mas de ação dolosa de terceiros. Por isso, a concessionária pode até responder objetivamente em tese, mas essa responsabilidade pode ser afastada se o dano vier de fato exclusivo de terceiro sem conexão com a atividade prestada. Esse é o raciocínio cobrado pela FGV: o serviço de transporte não vira seguradora universal de todo e qualquer infortúnio do mundo. Então, a alternativa correta é a B porque traduz a combinação clássica entre responsabilidade objetiva da concessionária e a possibilidade de exclusão por fato doloso exclusivo de terceiro, quando ausente nexo com a atividade de transporte. É a leitura que harmoniza a Constituição com a jurisprudência do STJ sobre o tema.

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