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Direito Administrativo · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Autoridades competentes da União verificaram que determinado ato administrativo discricionário foi regularmente deferido com base na legislação então vigente, de modo que não possuía qualquer vício, mas que a superveniência de lei fez com que ele se tornasse incompatível com o ordenamento jurídico. Nesse caso, é correto afirmar que tal situação deveria ensejar a

Gabarito: A

A situação narra um ato administrativo discricionário que nasceu perfeito: foi praticado por autoridade competente, com objeto lícito, forma adequada, motivo e finalidade compatíveis com a lei vigente. Até aqui, tudo certo. O problema veio depois, com uma nova lei tornando esse ato incompatível com o ordenamento. Quando a ilegalidade surge por mudança normativa superveniente, não se fala em anulação, porque o vício não existia no nascimento do ato. Nesse cenário, o nome técnico é caducidade: o ato perde sua compatibilidade com o sistema jurídico por causa de uma lei nova. É como se o ato tivesse “prazo de validade jurídica” e a lei posterior o tivesse vencido. A doutrina administrativa clássica trata a caducidade exatamente assim, e a lógica é reforçada pela ideia de que a Administração não pode manter válido um ato que passou a contrariar norma posterior obrigatória. Não confunda com revogação, que ocorre por conveniência e oportunidade da própria Administração, sobre ato válido e eficaz, sem vício. Aqui não é vontade administrativa livre, mas imposição do novo regime legal. Também não é convalidação, porque não há defeito sanável. E cassação costuma ocorrer quando o particular descumpre condições fixadas para manter o ato, como uma licença. Em resumo: ato era válido, depois ficou incompatível com lei nova. Mudou a lei, mudou o destino do ato. Isso é caducidade, e por isso o gabarito é a alternativa A.

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