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Direito Administrativo · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

O Município X ajuizou, em janeiro de 2023, ação de improbidade administrativa em face de Tício, requerendo, entre outros pedidos, o ressarcimento ao erário pelos danos causados, tendo sido aduzida por Tício preliminar de ilegitimidade ativa para a causa. De acordo com o atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que:

Gabarito: C

A Lei 14.230/2021 mexeu bastante na Lei de Improbidade Administrativa e gerou uma boa confusão sobre quem pode entrar com a ação. Em uma leitura inicial da reforma, parecia que o Ministério Público teria o monopólio da iniciativa. Só que o STF, ao analisar o tema nas ADIs 7042 e 7043, afastou essa ideia de exclusividade absoluta e preservou a legitimidade da pessoa jurídica lesada para ajuizar a ação de improbidade. Na prática, isso significa que o ente público prejudicado, como o Município X, não fica de fora do jogo. Ele pode propor a ação de improbidade administrativa ao lado do Ministério Público, em legitimidade concorrente, buscando inclusive o ressarcimento ao erário. Então a preliminar de ilegitimidade ativa levantada por Tício não se sustenta. Esse é exatamente o ponto cobrado pela banca: o STF não entendeu que o Município perdeu toda legitimidade. Pelo contrário, reconheceu que a pessoa jurídica que sofreu o dano continua podendo agir judicialmente para proteger o patrimônio público. O Ministério Público continua com papel central, mas não exclusivo. Por isso, a alternativa C está correta: o ente público que sofreu prejuízo por ato de improbidade é legitimado concorrente com o Ministério Público para propor a ação de improbidade administrativa.

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