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Direito Administrativo · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Ronaldo e Roberto, ambos ocupantes do cargo de Analista Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da Yª Região, são casados. Ronaldo é o servidor competente que conduz determinado processo administrativo, em cujo curso foi arrolado Roberto, na qualidade de testemunha. Ao tomar conhecimento do arrolamento de Roberto como testemunha, à luz da Lei nº 9.784/99, o servidor Ronaldo deverá

Gabarito: A

Na Lei 9.784/99, o processo administrativo também tem regras de imparcialidade, porque ninguém quer um julgador de terno, crachá e conflito de interesses, né? Quando a lei fala em impedimento, ela está tratando de situações objetivas, em que a pessoa não pode atuar no processo por haver vínculo ou interesse que comprometa a neutralidade. Isso está no art. 18. E aqui vem o ponto-chave: é impedido o servidor ou autoridade que tenha cônjuge, companheiro, parente até o terceiro grau, ou que tenha participado do processo como testemunha, perito ou representante. No caso, Ronaldo conduz o processo e Roberto, seu cônjuge, foi arrolado como testemunha. Isso aciona o impedimento diretamente. A consequência é clara no art. 18, §1º: o servidor deve comunicar o fato à autoridade competente e se abster de atuar no feito. A omissão dessa comunicação configura falta grave para efeitos disciplinares. Ou seja, a banca juntou dois elementos certeiros: o vínculo conjugal e o fato de a testemunha estar no processo. Por isso, o gabarito é a letra A. Não é caso de suspeição, que é outra hipótese, mais ligada a subjetividade e amizade/inimizade, nem de delegação. Aqui o problema é objetivo e impede a atuação de Ronaldo no processo.

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