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Direito Administrativo · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

José, auxiliar administrativo do Ministério Público do Estado Alfa, exerce a função de gerente de pagamento no Departamento de Recursos Humanos. No exercício de suas funções, José praticou ato administrativo dentro de sua esfera de competência, mas afastando-se do interesse público, eis que a real motivação do ato foi retaliar João, igualmente servidor público do Ministério Público, e seu antigo desafeto. No caso em tela, de acordo com o que ensina a doutrina de Direito Administrativo, José agiu:

Gabarito: B

A questão trata de abuso de poder, que aparece quando o agente público até tem competência para praticar o ato, mas usa essa competência de forma irregular. Na doutrina de Direito Administrativo, o abuso de poder pode se dividir em duas modalidades: excesso de poder e desvio de poder (ou desvio de finalidade). O excesso ocorre quando o agente age fora dos limites da sua competência. Já o desvio de poder acontece quando ele até atua dentro da competência, mas usa o ato para um fim diferente do interesse público. É exatamente isso que ocorreu com José. Ele praticou um ato administrativo dentro da sua esfera de competência, então não há excesso de poder. O problema está na motivação real: retaliar João, seu desafeto. Ou seja, o ato foi usado para uma finalidade pessoal, e não para atender ao interesse público. Isso caracteriza desvio de finalidade, que é vício de legalidade e torna o ato ilícito. Esse entendimento é clássico na doutrina e também acolhido pela jurisprudência, que admite o controle da finalidade do ato administrativo. Em resumo: se o agente acerta a porta, mas entra na casa errada, ainda assim há problema. Aqui, a porta era a competência; a casa errada era a finalidade privada. Por isso, a alternativa correta é a que aponta abuso de poder na modalidade desvio de poder, porque houve afastamento da finalidade pública.

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