← Questões de Direito Administrativo

Direito Administrativo · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Rafael, médico do Estado de Santa Catarina, ocupante do cargo público efetivo de anestesiologista, ministra medicação venosa para a sedação de Maurício em centro cirúrgico de hospital público catarinense. Maurício falece em virtude da excessiva dose do medicamento ministrado, ato culposo de Rafael. Mauro, filho único de Maurício, ajuíza ação contra Rafael, requerendo indenização pela morte do pai. À luz da jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal, a propositura desta ação é:

Gabarito: D

A regra aqui vem do art. 37, § 6º, da Constituição: o Estado responde objetivamente pelos danos causados por seus agentes nessa qualidade. Em outras palavras, se o médico atuou no exercício da função pública e causou o dano, a vítima deve buscar a reparação contra a pessoa jurídica responsável pelo serviço, e não diretamente contra o servidor. O STF consolidou esse entendimento no Tema 940 da repercussão geral: a ação de indenização por dano causado por agente público deve ser proposta contra o Estado ou a pessoa jurídica prestadora do serviço público, sendo ilegítima a inclusão do agente no polo passivo nessa ação de reparação. Isso não significa que o servidor fique livre de responsabilidade. Se houver dolo ou culpa, o Estado, depois de indenizar a vítima, pode ajuizar ação regressiva contra o agente, nos termos do próprio art. 37, § 6º. Ou seja: para a vítima, primeiro o Estado responde; depois, se for o caso, o Estado acerta as contas com o servidor. É o famoso "primeiro paga quem tem o dever institucional, depois se cobra de quem errou". Por isso o gabarito é a letra D: Mauro deveria ajuizar a ação contra o Estado de Santa Catarina, e não contra Rafael. A tese não é de responsabilidade subsidiária do servidor, nem de litisconsórcio obrigatório com o ente público.

Continue treinando

Questões relacionadas