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Direito Administrativo · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Maria, juíza de Direito no Estado Alfa, era titular da Vara Única da Comarca XX. Em razão do reduzido quantitativo de processos em tramitação nesse órgão jurisdicional, decidiu-se pela extinção desse órgão jurisdicional, o mesmo ocorrendo em relação ao cargo de Maria. Nesse caso, Maria deve ser:

Gabarito: B

Quando o cargo de magistrado é extinto ou declarada a desnecessidade do serviço, a Constituição não manda simplesmente “mandar embora” nem transformar a situação em aposentadoria automática. A solução é a disponibilidade, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, até eventual aproveitamento em outro cargo da magistratura. É a ideia de proteger a independência judicial sem deixar o Judiciário engessado por cargos que perderam razão de existir. No caso da Maria, a Vara Única foi extinta e, junto com ela, o cargo ocupado por ela também desapareceu. Isso encaixa exatamente na regra do art. 93, VIII, da Constituição Federal: extinto o cargo, o juiz fica em disponibilidade, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, e depois pode ser aproveitado. Esse ponto é clássico em Direito Administrativo e Direito Constitucional: disponibilidade não é punição, nem demissão, nem aposentadoria. É uma situação transitória de inatividade remunerada, preservando o vínculo com a carreira. Por isso, a alternativa B é a correta ao afirmar que Maria deve ser posta em disponibilidade. A banca costuma explorar a diferença entre disponibilidade, aposentadoria e demissão, porque cada uma produz efeitos bem diferentes. Aqui, como não há falta funcional nem interesse em punir, mas apenas extinção do órgão e do cargo, a resposta segue a lógica constitucional de preservação da magistratura.

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