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Direito Administrativo · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

João é proprietário de imóvel rural que engloba grande área na cidade Alfa, interior do Estado. O imóvel de João, sem seu conhecimento, foi invadido por terceiras pessoas que passaram a cultivar plantas psicotrópicas (maconha) de forma ilícita. O Município Alfa ajuizou ação perante a Justiça Estadual visando à desapropriação confisco do imóvel de João. No caso em tela, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, a expropriação prevista no Art. 243 da Constituição da República de 1988:

Gabarito: D

A expropriação do art. 243 da Constituição é a famosa desapropriação sem indenização, aplicada quando houver cultivo ilegal de plantas psicotrópicas ou exploração de trabalho escravo, com destinação social do bem. Na prática, ela tem um tempero importante: o STF entende que, para atingir o proprietário, é preciso apurar se houve culpa dele, especialmente culpa in vigilando ou in eligendo, ou seja, se ele falhou na vigilância ou na escolha de quem usou o imóvel. Não é uma responsabilidade automática, estilo "aconteceu no terreno, então o dono paga a conta". Por isso, o proprietário pode afastar a expropriação se provar que não concorreu para a situação. A banca costuma resumir isso como responsabilidade subjetiva, com possibilidade de inversão do ônus da prova em favor do poder público, porque não faria sentido exigir do Estado provar um fato negativo muito difícil, enquanto o dono tem melhores condições de demonstrar a sua atuação diligente. No caso, porém, a ação ajuizada pelo Município Alfa está errada. A expropriação do art. 243 é medida de competência da União, e a ação deve ser processada na Justiça Federal. Então o processo, do jeito que foi proposto, deve ser extinto sem resolução do mérito por ilegitimidade ativa do Município. É exatamente essa combinação que torna a alternativa D correta: responsabilidade subjetiva do proprietário, com prova de ausência de culpa, e ação proposta pelo ente errado e no juízo errado.

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