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Direito Administrativo · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

José, Escrivão de Polícia Civil do Estado Gama, no exercício da função de atestar o recebimento de bens contratados, recebeu, de forma dolosa, vantagem econômica direta, consistente em propina no valor de cem mil reais em dinheiro, para fazer declaração falsa sobre quantidade e qualidade de coletes balísticos fornecidos à Polícia Civil pela sociedade empresária Beta, por força de contato administrativo. Consoante dispõe a Lei de Improbidade Administrativa (com as alterações introduzidas pela Lei nº 14.230/21), José

Gabarito: E

A Lei de Improbidade Administrativa, após a Lei 14.230/21, exige dolo e continua separando os atos ímprobos em três grupos clássicos: enriquecimento ilícito, dano ao erário e violação aos princípios. Aqui, José recebeu propina para fazer declaração falsa sobre a quantidade e a qualidade dos coletes balísticos. Ou seja, ele ganhou vantagem econômica indevida em razão do cargo, o que encaixa direitinho no art. 9º da Lei 8.429/92, que trata do enriquecimento ilícito. Perceba o detalhe que costuma derrubar muita gente: não basta dizer que houve irregularidade administrativa qualquer. A conduta narrada mostra vantagem patrimonial direta e dolo, então a moldura jurídica é de improbidade por enriquecimento ilícito, e não de simples prejuízo ao erário. A propina recebida é o coração da questão, porque o agente enriqueceu ilicitamente ao praticar ato funcional desviado. Na parte sancionatória, a resposta também aponta no caminho certo. Para o ato do art. 9º, a lei prevê sanções mais severas, como suspensão dos direitos políticos por até 14 anos e multa civil ligada ao acréscimo patrimonial, além das demais consequências legais. A FGV gosta de misturar o tipo de ato com a sanção correspondente para ver se você troca enriquecimento ilícito por dano ao erário. Não caia nessa armadilha. Então, resumindo: José praticou ato de improbidade por enriquecimento ilícito, porque recebeu vantagem indevida para falsear informação no exercício da função. Por isso, a alternativa E é a que melhor corresponde ao regime da Lei de Improbidade Administrativa.

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