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Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

Antônio exerceu o cargo eletivo de Vereador junto ao Legislativo municipal durante dezesseis anos. No Município em análise, existe lei municipal dispondo que a pessoa que tiver exercido o cargo de Vereador durante quatro Legislaturas ou dezesseis anos de vereança faz jus, a título de pensão, após o término do mandato, a um subsídio mensal e vitalício igual parte fixa da remuneração dos membros da edilidade. No caso em tela, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, a mencionada lei municipal:

Gabarito: A

A questão trata de um tema clássico de concurso: a tentativa de criar, por lei local, uma vantagem vitalícia para quem já ocupou cargo eletivo. No Direito Administrativo, isso bate de frente com o regime jurídico-constitucional da Administração, especialmente com os princípios da moralidade, impessoalidade e isonomia do art. 37 da Constituição. O ponto central é simples: vereador é agente político durante o mandato, mas, terminado o cargo, ele deixa de exercer a função. Criar uma pensão mensal e vitalícia só porque a pessoa foi vereadora por certo tempo significa dar um privilégio pessoal sem base previdenciária adequada, o que o STF considera incompatível com a Constituição. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento firme de que leis municipais que instituem pensão vitalícia ou subsídio pós-mandato para ex-vereadores são inconstitucionais, por configurarem favorecimento indevido a ex-agente político e violarem os princípios da moralidade e da isonomia. Em outras palavras: o cargo passou, o benefício especial também deve passar. Por isso, o gabarito é a alternativa A. A lei municipal não pode transformar o exercício de mandato eletivo em uma espécie de aposentadoria premium fora do sistema constitucional de previdência, porque isso cria um privilégio pessoal sem amparo na Constituição.

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