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Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

O Estado do Piauí, sob a égide da Lei nº 8.666/1993, após regular processo licitatório, celebrou com a sociedade empresária Beta contrato administrativo, no qual constaram cláusulas disciplinando a prerrogativa da Administração Pública contratante de alteração unilateral do acordo e a possibilidade de aplicação de penalidades contratuais. Trata-se de cláusulas:

Gabarito: D

No contrato administrativo, nem tudo que parece “desigual” é problema. A Lei 8.666/1993 admite cláusulas que colocam a Administração em posição de supremacia, justamente porque o interesse público pode exigir poderes especiais para o Poder Público gerir e fiscalizar a execução contratual. Essas cláusulas são chamadas de exorbitantes, porque extrapolam a lógica dos contratos privados, mas fazem parte do regime jurídico administrativo. Entre as prerrogativas mais clássicas estão a alteração unilateral do contrato e a aplicação de penalidades ao contratado, ambas previstas no regime da Lei 8.666/1993. Isso aparece, por exemplo, no art. 58, que trata das prerrogativas da Administração, e nos dispositivos sobre alteração e sanções contratuais. Ou seja: não é abuso, é a regra do jogo quando a Administração contrata. Por isso, essas cláusulas não viciam o contrato. Elas não anulam o ajuste nem significam ilegalidade; ao contrário, decorrem da supremacia do interesse público sobre o privado. A doutrina administrativa tradicional sempre ensina que, no contrato administrativo, há uma posição de superioridade da Administração, sem prejuízo da necessidade de preservar o equilíbrio econômico-financeiro, quando houver impacto real no contrato. Então, quando o enunciado fala em alteração unilateral e penalidades contratuais, está descrevendo cláusulas exorbitantes típicas do contrato administrativo. É exatamente por isso que a alternativa D está correta.

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