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Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

No interior das dependências do presídio estadual Gama, funciona uma lanchonete, administrada por Maria, que realizou diversas obras no local para instalar seu comércio. Durante inspeção do Ministério Público Estadual, o Promotor de Justiça verificou que Maria possuía um contrato administrativo assinado com o Estado, representado pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, por prazo determinado, sem que, contudo, tenha sido precedido de procedimento licitatório. Após instaurar inquérito civil para apurar a legalidade do consentimento estatal para utilização do bem público por Maria, o Ministério Público Estadual concluiu que o contrato:

Gabarito: D

Quando o Estado permite que um particular use um bem público para explorar atividade econômica, a Administração não está simplesmente "emprestando a chave" do local. Ela está concedendo um uso especial e mais estável, geralmente por prazo determinado e mediante condições contratuais. Nesse cenário, o instrumento típico é a concessão de uso, que, em regra, depende de licitação, porque há seleção impessoal do particular que vai receber uma utilidade pública exclusiva. A lógica é simples: se o bem é público e vai ser usado para fins privados, o Estado precisa observar isonomia, impessoalidade e escolha objetiva. Por isso, a doutrina e a prática administrativa distinguem concessão, permissão e autorização. A autorização de uso costuma ser mais precária e até pode ser dispensada de licitação em hipóteses específicas; a permissão de uso também é precária, mas normalmente é formalizada por ato unilateral. Já a concessão de uso é mais estável e contratual, o que puxa a exigência de licitação. No caso da lanchonete dentro do presídio, há uso privativo de bem público por particular, com exploração econômica e contrato por prazo determinado. Isso aponta para concessão de uso, e não para autorização ou mera permissão. Como o enunciado informa que não houve procedimento licitatório, o contrato nasce viciado. Em outras palavras: quando o Estado deixa alguém montar negócio em espaço público, a regra é não transformar isso em "clube do favorecimento". A seleção deve ser competitiva, salvo hipótese legal específica em sentido diverso. Por isso, o gabarito é a letra D.

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