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Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

Carlos, empregado da empresa pública federal Alfa, no exercício da função, percebeu vantagem econômica direta, consistente no pagamento de sessenta mil reais, para facilitar a locação de bem móvel, pela empresa pública Alfa, por preço superior ao valor de mercado. Agindo em conluio com o particular André, proprietário do imóvel alugado, Carlos usou de seu emprego público para viabilizar a contratação superfaturada e, em troca, recebeu a mencionada propina. Os fatos foram noticiados ao Ministério Público Federal que instaurou inquérito civil e, finda a investigação, conseguiu obter provas de todo o esquema ilícito. No caso em tela, de acordo com a Lei nº 8.429/92 e a jurisprudência, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

Aqui a ideia central é simples: a Lei de Improbidade Administrativa não pune só o agente público. Ela também alcança o particular que induz, concorre para o ato ilícito ou dele se beneficia de forma direta, desde que saiba do esquema e participe dele. Então André, que agiu em conluio com Carlos e recebeu a vantagem indevida na contratação superfaturada, pode responder junto com ele. Carlos, por sua vez, é empregado de empresa pública federal e, por isso, se enquadra como agente público para fins da Lei 8.429/92. A jurisprudência e a própria lei deixam claro que quem exerce função pública, ainda que em entidade da administração indireta, pode praticar ato de improbidade. Não importa o rótulo do vínculo, e sim o uso da função para desviar a finalidade pública. O fato narrado aponta ato de improbidade que gera enriquecimento ilícito e lesão ao erário, porque houve propina e contratação superfaturada. Nesses casos, o agente público e o particular que participou do esquema podem responder juntos, cada um na medida da sua atuação. O art. 3º da LIA é o dispositivo-chave para puxar o particular para a responsabilização. Por isso o gabarito é a letra D: Carlos responde como agente público e André responde como particular que concorreu e se beneficiou do ato ímprobo. A questão tenta fazer você tropeçar na ideia de que só servidor estatutário pratica improbidade, mas isso está longe de ser verdade.

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