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Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

João é servidor público ocupante do cargo efetivo de assistente administrativo da Câmara Municipal de Aracaju e está lotado no setor de protocolo da Casa Legislativa, onde deve proceder ao recebimento e encaminhamento de documentos. Antônio compareceu ao citado setor para protocolizar um requerimento, mas João se recusou a receber o documento e expulsou o cidadão do recinto, em razão do fato de ser Antônio seu vizinho e antigo desafeto. Na hipótese narrada, João violou diretamente o princípio constitucional expresso da administração pública da:

Gabarito: B

A Constituição, no art. 37, caput, exige que a Administração Pública respeite princípios como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Entre eles, a impessoalidade é a ideia de que o agente público não pode agir movido por amizade, inimizade, favoritismo ou perseguição pessoal. O cargo existe para atender ao interesse público, não para resolver desavença de vizinhança. No caso, João estava no protocolo, local em que deveria receber e encaminhar documentos. Mesmo assim, recusou o requerimento e expulsou o cidadão por ser seu antigo desafeto. Isso é um exemplo clássico de atuação pessoal, com tratamento discriminatório no exercício da função, o que viola diretamente a impessoalidade. A banca FGV gosta muito de transformar princípios em situações do dia a dia, para ver se você percebe a motivação do ato administrativo. Se o servidor age por antipatia pessoal, o problema não é falta de continuidade, nem de proporcionalidade, nem de autotutela: o defeito está em usar o poder público como extensão do humor particular. Por isso, o gabarito é a alternativa B. A Administração deve tratar os administrados com neutralidade e isonomia, sem selecionar quem será atendido por preferência pessoal ou rixa antiga.

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