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Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

João, agente de Polícia Civil e chefe do setor de investigação em determinada delegacia no Estado Alfa, recebeu, para si, diretamente, a quantia de cinquenta mil reais de Alessandro, indiciado em determinado inquérito policial. Para retribuir o presente, João deixou de realizar determinada diligência investigatória, pois o resultado poderia desagradar a Alessandro. Consoante dispõe a Lei nº 8.429/1992, em tese:

Gabarito: B

A Lei de Improbidade Administrativa não pune apenas o agente público. O particular também pode responder quando induz, concorre ou se beneficia do ato ímprobo, como prevê o art. 3º da Lei 8.429/1992. Então, quando Alessandro entrega dinheiro para que o policial deixe de praticar diligência, ele não está apenas “assistindo de camarote”: ele participa do esquema e pode responder por improbidade também. No caso, João recebeu vantagem indevida para omitir ato de ofício. Isso encaixa, em tese, em ato de improbidade por enriquecimento ilícito, com as sanções do art. 12, I, da LIA, entre elas a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos. Alessandro, por sua vez, como particular que induziu e concorreu para o ato, também pode responder nas mesmas bases legais, na medida de sua participação. Um detalhe importante: não é necessário haver dano efetivo ao erário para existir improbidade por enriquecimento ilícito. O foco aqui é o ganho indevido e a quebra da probidade administrativa, não a conta do prejuízo no caixa do Estado. Por isso, a alternativa B é a correta: os dois podem praticar ato de improbidade, e a lei prevê, entre as sanções, a suspensão dos direitos políticos no prazo legal. Em prova, a FGV adora testar justamente essa ideia: particular também pode entrar no jogo quando participa da má conduta.

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