← Questões de Direito Administrativo

Direito Administrativo · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

João, que cumpria pena em estabelecimento prisional após ser condenado pela prática de inúmeros homicídios, logrou êxito em fugir. Após alguns dias escondido na mata, invadiu uma casa e matou três dos cinco integrantes da família que ali residia, sendo preso em flagrante delito. Os sobreviventes ajuizaram ação de reparação de danos em face do Estado, argumentando com a omissão dos seus agentes na manutenção da prisão de João e na sua não captura, de modo a evitar a ocorrência dos fatídicos eventos. À luz da sistemática constitucional, no caso em tela, a responsabilidade extracontratual do Estado:

Gabarito: A

A responsabilidade civil do Estado, no art. 37, § 6º, da Constituição, em regra segue o risco administrativo. Isso quer dizer que o Estado pode responder sem precisar provar culpa em várias situações, mas ainda é indispensável demonstrar o dano e o nexo causal. Sem esse elo entre a atuação estatal e o prejuízo, não há indenização, e o Direito Administrativo não vira seguro de tudo que acontece no planeta. Nas omissões estatais, a análise costuma ser ainda mais cuidadosa. A jurisprudência trabalha, em linhas gerais, com a ideia de falta do serviço ou omissão específica, exigindo que a omissão tenha efetivamente contribuído para o resultado danoso. Se o evento posterior decorre de uma conduta nova, autônoma e mais próxima do dano, o nexo causal pode ser rompido. No caso, João já estava foragido havia alguns dias, escondido na mata, e depois invadiu uma casa para praticar novos homicídios. O dano imediato aos sobreviventes decorreu da ação criminosa direta de João, e não da fuga em si, de modo que o Estado não responde por esse resultado específico. Em outras palavras: a falha prisional existiu, mas não basta apontar a omissão se ela não se conecta de modo juridicamente relevante ao dano narrado. Por isso, o gabarito é a letra A: não se reconhece a responsabilidade estatal, porque faltou nexo causal entre a omissão administrativa e o dano causado aos familiares. A ideia central aqui é simples: o Estado não responde por todo mal praticado por terceiro, apenas quando sua omissão é juridicamente ligada ao resultado.

Continue treinando

Questões relacionadas