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Direito Administrativo · FGV · 2017

Questão comentada de Direito Administrativo

Determinado município é proprietário de um extenso lote localizado em área urbana, mas que não vem sendo utilizado pela Administração há anos. Em consequência do abandono, o imóvel foi ocupado por uma família de desempregados, que deu à área uma função social. O poder público teve ciência do fato, mas, como se tratava do final da gestão do então prefeito, não tomou qualquer medida para que o bem fosse desocupado. A situação perdurou mais de trinta anos, até que o município ajuizou a reintegração de posse. Sobre a questão apresentada, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A questão trabalha um ponto clássico de bens públicos: nem todo bem público está destinado a um uso direto pela Administração. Quando o imóvel não está afetado a uma finalidade pública específica, ele pode ser classificado como bem dominical, isto é, um bem que integra o patrimônio estatal como se fosse um ativo disponível, embora continue sendo público. O detalhe que costuma derrubar muita gente é este: ser dominical não significa virar um bem privado. Ele continua sujeito ao regime jurídico dos bens públicos, inclusive à imprescritibilidade. Em outras palavras, o tempo passa, a posse se prolonga, a família até dá função social ao local, mas isso não transforma o imóvel em usucapível. O fundamento é direto: a Constituição, nos arts. 183, §3º, e 191, parágrafo único, veda usucapião de bens públicos. O Código Civil repete a regra no art. 102. A jurisprudência do STF e do STJ é pacífica nesse ponto: bem público não se adquire por usucapião, ainda que esteja sem uso, abandonado na prática ou classificado como dominical. Por isso, o gabarito é a letra B. O município até demorou muito para agir, mas a inércia administrativa não apaga a natureza pública do bem nem abre caminho para usucapião.

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