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Direito Administrativo · FGV · 2017

Questão comentada de Direito Administrativo

Ao constatar que numerosas tribos indígenas, que ocupam determinadas áreas em caráter permanente, estão sendo fortemente atingidas por uma epidemia de febre amarela, o Governador do Estado Alfa remove-as da localidade de maneira forçada. Dada a repercussão do caso, logo após a efetivação da remoção, submete suas justificativas à Assembleia Legislativa do Estado Alfa, informando que o deslocamento das tribos será temporário e que ocorreu em defesa dos interesses das populações indígenas da região. A Assembleia Legislativa do Estado Alfa termina por referendar a ação do Chefe do Poder Executivo estadual. Sobre o ato do Governador, com base no quadro acima apresentado, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

A questão trata da proteção constitucional das terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas. A regra geral é a de não remover os grupos indígenas de suas terras, porque a Constituição leva a sério a ligação entre povo indígena, território e modo de vida. Isso aparece no art. 231 da CRFB/88, que protege a ocupação permanente e torna a remoção algo absolutamente excepcional. A exceção existe, mas ela é bem estreita: em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco a população indígena, a remoção pode ocorrer. Só que a Constituição não deixa isso ao sabor da autoridade local, nem permite uma decisão definitiva do Executivo estadual. O texto constitucional exige controle político do Congresso Nacional, e a medida deve ser temporária, com retorno logo que cesse o risco. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. O Governador até poderia adotar providência emergencial diante da epidemia, mas não poderia decidir, de modo conclusivo, pela remoção das tribos como se fosse uma competência estadual encerrada em si mesma. Faltou o arranjo constitucional correto: a hipótese é excepcional, com participação do Congresso Nacional, e não da Assembleia Legislativa estadual. Em resumo: a proteção é forte, a exceção é restrita e a decisão não pode ficar apenas na mão do Estado. A Constituição até admite a saída da área, mas com freio institucional e em caráter temporário.

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