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Direito Administrativo · FGV · 2014

Questão comentada de Direito Administrativo

Caio, chefe de gabinete do prefeito do município X, ocupante exclusivamente de cargo em comissão, conhecendo os planos concretos da prefeitura para levar asfaltamento, saneamento e outras intervenções urbanísticas a um bairro mais distante, revela a alguns construtores tal fato, levando-os a adquirir numerosos terrenos naquela localidade antes que ocorresse sua valorização imobiliária. Caio recusa, expressamente, todos os presentes enviados pelos construtores. Sobre a situação hipotética descrita acima, assinale a opção correta.

Gabarito: A

Aqui a chave é perceber que a Lei de Improbidade, depois da Lei 14.230/2021, passou a exigir dolo, mas não exige, em todo caso, que o agente tenha enricquecido ou causado prejuízo ao erário. No caso, Caio usou informação que recebeu por causa do cargo e a revelou antes da divulgação oficial, permitindo que terceiros se beneficiassem com a compra dos terrenos. Isso encaixa bem no art. 11 da Lei 8.429/1992, especialmente a hipótese de revelar fato ou circunstância que deva permanecer em segredo. Repare no detalhe que a banca adora: Caio recusou os presentes. Isso afasta enriquecimento ilícito, mas não afasta automaticamente improbidade. A conduta pode continuar ilícita porque o foco aqui é a violação dolosa à moralidade administrativa e ao dever de lealdade funcional, e não o bolso do agente. Outro ponto importante: não importa se Caio é servidor de carreira, ocupante de cargo em comissão ou agente político. A Lei de Improbidade alcança agente público em sentido amplo. Então a proteção do concurso não vem do tipo de vínculo, e sim da falta de dolo e da tipificação legal, o que aqui não ajuda Caio. Por isso o gabarito é a letra A: a mera comunicação antecipada da medida administrativa, antes da divulgação oficial, já pode caracterizar improbidade, ainda que Caio não tenha recebido vantagem pessoal.

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