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Direito Administrativo · FGV · 2010

Questão comentada de Direito Administrativo

Determinada Administração Pública realiza concurso para preenchimento de cargos de detetive, categoria I. Ao final do certame, procede à nomeação e posse de 400 (quatrocentos) aprovados. Os vinte primeiros classificados são desviados de suas funções e passam a exercer as atividades de delegado. Com o transcurso de 4 (quatro) anos, estes vinte agentes postulam a efetivação no cargo. A partir do fragmento acima, assinale a alternativa correta.

Gabarito: B

A questão gira em torno da ideia de investidura em cargo público e da proibição de “atalhos” na Administração. Pela Constituição, o acesso a cargo efetivo depende de concurso público para o provimento daquele cargo específico, e não basta a pessoa já estar no serviço público em outra função. O art. 37, II, da CF é o centro da história: concurso para o cargo certo, na carreira certa. Aqui, os aprovados para detetive foram desviados para exercer atribuições de delegado. Isso não transforma o desvio em forma válida de provimento, nem cria direito à efetivação por decurso de tempo. A Súmula Vinculante 43 do STF resume bem a ideia: é inconstitucional toda modalidade de provimento que permita ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual foi anteriormente investido. Por isso, o erro da situação não “convalida” o cargo de delegado depois de 4 anos, 15 anos ou o tempo que for. Tempo de serviço pode até repercutir em algumas vantagens, mas não conserta falta de concurso para ingresso no cargo. Em Direito Administrativo, o tempo não faz milagre quando a Constituição já disse que não pode. Logo, a alternativa B está correta porque aponta exatamente a vedação constitucional e jurisprudencial contra a mudança de cargo sem concurso específico.

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