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Direito Administrativo · FCM · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Carlos é funcionário público do Município X e está lotado na Secretaria da Fazenda. No exercício das funções do seu cargo, Carlos recebeu um pedido administrativo que a ele compete analisar. Ao receber os documentos que instruíam o pedido, Carlos constatou que se tratava do pedido de um desafeto seu e de seus familiares. Tendo em vista a situação de animosidade com seu desafeto e com o objetivo de prejudicar o andamento da demanda, Carlos atrasou ao máximo a análise do pedido, não realizando os procedimentos nos prazos recomendados e analisando pedidos de outros cidadãos que foram protocolizados posteriormente. Agindo da forma narrada, Carlos violou diretamente o princípio expresso da administração pública da

Gabarito: E

Aqui a chave da questão está em perceber que o servidor usou o cargo para favorecer seu interesse pessoal, no caso, prejudicar um desafeto. Isso bate de frente com o princípio da impessoalidade, previsto no art. 37, caput, da Constituição Federal. A Administração não pode agir como se tivesse preferidos e inimigos: a atuação deve mirar o interesse público, sem perseguição, favoritismo ou desvio de finalidade. Na prática, impessoalidade significa que o agente público atua em nome do Estado, e não em nome de simpatias, antipatias ou interesses privados. Se ele atrasa propositalmente um pedido por animosidade pessoal, ele está personalizando a atuação administrativa, o que é justamente o contrário do que a Constituição exige. A conduta, portanto, é ilegal porque contamina o serviço público com motivação pessoal. Vale lembrar que a impessoalidade também se conecta à ideia de finalidade pública e neutralidade administrativa. A doutrina costuma dizer que o administrador não pode usar a máquina estatal para beneficiar ou prejudicar indivíduos isoladamente por razões pessoais. Não é "me caiu mal, então vou empurrar com a barriga". No serviço público, isso é um baita problema. Por isso, o gabarito é a letra E. Carlos violou diretamente a impessoalidade, já que sua atuação não foi neutra nem voltada ao interesse público, mas sim marcada por perseguição pessoal.

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