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Direito Administrativo · FCC · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Leônidas, policial rodoviário federal, estava em gozo de férias com a família na praia, quando presenciou uma tentativa de assalto. Imediatamente, deu voz de prisão ao assaltante e imobilizou-o fisicamente, por meio de uma técnica de estrangulamento. Porém, acabou usando de força excessiva, o que levou o assaltante a óbito por asfixia. Sabendo-se que a família do falecido pretende responsabilizar a União pelo evento e analisando a situação descrita, os requisitos para a responsabilidade estatal

Gabarito: B

A responsabilidade civil do Estado, no art. 37, § 6º, da Constituição, é objetiva quando o dano é causado por agente público nessa qualidade, bastando demonstrar conduta, dano e nexo causal. Aqui, Leônidas era policial rodoviário federal, e a discussão gira justamente em torno de saber se ele atuava como agente estatal no momento do fato. A resposta é sim: o fato de estar de férias não apaga a condição de agente público nem impede que ele pratique um ato funcional em situação emergencial, como uma prisão em flagrante. O que houve foi excesso no uso da força durante a atuação, o que mantém a ligação entre a conduta do agente e o dano causado à vítima. Por isso, não se exige provar culpa do policial para responsabilizar a União. Em regra, a vítima pode cobrar do Estado pela teoria do risco administrativo, e depois o Estado, se quiser, pode buscar o ressarcimento contra o agente nos casos de dolo ou culpa. Essa é a lógica clássica da responsabilidade objetiva estatal: primeiro indeniza-se a vítima; depois se discute o acerto de contas interno. O gabarito B está correto porque houve atuação de agente público e dano decorrente dessa atuação, com nexo causal. Não se trata de culpa do serviço, nem de exclusão automática por estar em férias, nem de litisconsórcio necessário com o servidor.

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