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Direito Administrativo · FCC · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Considere que agente público tenha outorgado permissão de uso de bem público a particular e o ato de permissão tenha sido questionado perante o Poder Judiciário. Considerando o caráter discricionário do ato, tem-se que o Poder Judiciário.

Gabarito: A

A permissão de uso de bem público é, em regra, um ato administrativo discricionário e precário, ou seja, a Administração escolhe se vai concedê-la e pode, em certas hipóteses, revogá-la por conveniência e oportunidade. Mas isso não significa cheque em branco: o Judiciário sempre pode controlar a legalidade do ato, inclusive verificando se houve desvio de finalidade, incompetência, forma inadequada ou outro vício jurídico. Aqui entra a ideia central do controle judicial: juiz não substitui o administrador no mérito administrativo. Em outras palavras, o Poder Judiciário não vai dizer se era “melhor” dar ou não a permissão, porque isso pertence ao mérito. Só que, se a discricionariedade virou abuso, o ato sai da área protegida e entra no campo da ilegalidade. Por isso a alternativa A está correta: o Judiciário não pode se imiscuir nas razões de conveniência e oportunidade, mas pode anular o ato se houver desvio de finalidade. O desvio de finalidade é vício clássico de legalidade, ligado ao elemento finalidade do ato administrativo, e autoriza anulação judicial. Esse entendimento é totalmente compatível com a jurisprudência e com a doutrina clássica de Direito Administrativo: controle judicial incide sobre legalidade, não sobre mérito. A Administração pode escolher dentro da margem discricionária, mas não pode usar essa margem para fins estranhos ao interesse público.

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