As organizações do terceiro setor têm sido pioneiras na criação e manutenção de redes que operam nos níveis local, regional, nacional e internacional, trocando informações e articulando ações em torno de um objetivo comum. Uma rede fundamenta-se na
- A)conectividade e informação disseminada exclusivamente pelo núcleo da rede aos demais membros.
Errada, porque a rede não se baseia em informação concentrada no núcleo, mas em circulação e troca entre os participantes.
- B)autonomia dos integrantes, valores e objetivos compartilhados e multiliderança.
Certa, pois rede pressupõe autonomia dos membros, objetivos compartilhados e liderança distribuída, sem hierarquia rígida.
- C)estrutura centralizada, em que os objetivos são passados a membros distintos da rede.
Errada, porque estrutura centralizada é lógica de comando vertical, não de rede colaborativa.
- D)obrigatoriedade de termo de cooperação entre os membros e estrutura organizacional com hierarquia dos integrantes.
Errada, porque rede não exige hierarquia entre integrantes nem depende necessariamente de termo de cooperação formal para existir.
- E)participação voluntária, vinculada a uma subordinação aos membros do núcleo da rede.
Errada, porque participação voluntária em rede não significa subordinação aos membros do núcleo, e sim articulação horizontal.
Gabarito: B
A questão fala de redes formadas no terceiro setor, especialmente em organizações que atuam de modo articulado em vários níveis. Aqui, a ideia central não é comando fechado nem dependência hierárquica, mas cooperação entre participantes que mantêm certa autonomia e se unem por propósitos comuns. Em outras palavras, rede não funciona como um organograma rígido; ela nasce mais da conexão entre atores do que da subordinação de uns aos outros. No campo da Administração Pública e das organizações sociais, a noção de rede costuma aparecer ligada à horizontalidade, à cooperação, ao compartilhamento de informações e à coordenação por objetivos, e não por chefia única. Por isso, a expressão que melhor traduz esse modelo é a combinação de autonomia dos integrantes, valores e objetivos compartilhados e multiliderança. É o tipo de arranjo em que ninguém precisa mandar em todo mundo para a coisa andar. Esse entendimento é coerente com a doutrina sobre redes colaborativas e governança em rede, muito usada para explicar a atuação do terceiro setor. A lógica é de articulação, parceria e corresponsabilidade, com liderança distribuída conforme a necessidade. A FCC gosta justamente de trocar uma ideia de cooperação por uma ideia de hierarquia, então vale ficar atento. Assim, o gabarito é a letra B, porque descreve uma rede baseada em autonomia, identidade comum e liderança compartilhada. As demais alternativas trazem elementos típicos de estrutura centralizada, subordinação ou obrigação formal hierárquica, que não combinam com a lógica de rede.