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Direito Administrativo · FCC · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Suponha que o Tribunal de Contas tenha considerado irregular determinado contrato administrativo, por entender que a modalidade licitatória adotada, pregão, não foi a adequada, eis que não se trataria de serviço de natureza comum. A decisão do Tribunal imputou multa à autoridade responsável pela instauração do procedimento licitatório, identificando, ainda, dano ao erário e determinando à Administração a apuração dos prejuízos in concreto. De acordo com as disposições constitucionais aplicáveis, tem-se que

Gabarito: D

O Tribunal de Contas exerce controle externo e pode apreciar a legalidade, legitimidade e economicidade dos atos da Administração, inclusive de contratos. Se ele entende que houve irregularidade com dano ao erário, pode imputar débito e aplicar multa ao responsável, conforme o art. 71, II e VIII, da Constituição. Aqui não é o caso de o Tribunal apenas “dar um puxão de orelha”: a Constituição autoriza sanções diretas quando há irregularidade apurada no âmbito de sua competência. Um ponto importante é que a multa aplicada pelo Tribunal de Contas não depende, para existir e ser cobrada, da apuração prévia de todos os prejuízos do contrato. A própria decisão do Tribunal tem eficácia de título executivo, nos termos do art. 71, § 3º, da Constituição, o que permite a execução judicial da sanção. Em outras palavras: a multa já nasce pronta para cobrança, sem precisar esperar o restante da novela administrativa. Claro que, se houver dano ao erário, ele também pode ser apurado e cobrado em separado. Mas isso não condiciona a multa. São planos diferentes: a sanção ao responsável por violação ao dever funcional e a recomposição do prejuízo causado ao cofres públicos. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela está correta porque a multa do Tribunal de Contas possui eficácia de título executivo e pode ser cobrada independentemente da apuração de outros eventuais prejuízos. Esse é exatamente o desenho constitucional do controle externo exercido pelos Tribunais de Contas.

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