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Direito Administrativo · FAURGS · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Considere as afirmações abaixo tendo em vista a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. I - São excepcionalmente admissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos, quando destinadas a comprovar desvio moral e de finalidade da atuação de agente público. II - Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão competente poderá, mediante despacho motivado, abrir período de consulta pública para manifestação de terceiros, antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo para a parte interessada. III - Em caso de risco iminente, a Administração Pública poderá motivadamente adotar providências acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado. IV - Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir ou, em se tratando de caso cuja complexidade seja devidamente demonstrada, encaminhar o processo ao Poder Judiciário para decisão fundamentada. Quais estão corretas?

Gabarito: B

A Lei 9.784/1999 traz algumas garantias bem importantes no processo administrativo federal: contraditório, motivação, impulso oficial e razoabilidade. Na prática, ela quer evitar que a Administração decida no susto e sem ouvir quem deve ser ouvido. Mas também admite exceções em situações urgentes, porque o interesse público nem sempre pode esperar a cerimônia completa. A afirmativa II está correta porque, quando o assunto for de interesse geral, o órgão competente pode abrir consulta pública, por despacho motivado, antes da decisão final, desde que isso não prejudique a parte interessada. Isso está alinhado com a lógica participativa da lei. A afirmativa III também está correta. Em caso de risco iminente, a Administração pode adotar providências acauteladoras sem ouvir previamente o interessado. Aqui a ideia é simples: primeiro protege-se o bem jurídico, depois se discute com calma. É a exceção ligada à urgência. Já a I erra feio ao falar em prova ilícita como admissível por desvio moral e de finalidade do agente público. A lei não cria essa exceção. E a IV também está errada porque, concluída a instrução, a Administração deve decidir em até 30 dias, com possibilidade de prorrogação motivada, não de encaminhamento ao Poder Judiciário. Por isso, o gabarito é a letra B: apenas II e III.

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