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Direito Administrativo · COPEVE-UFAL · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Arnaldo atravessou uma rodovia à noite e foi atropelado, chegando a ter uma perna amputada. A rodovia em questão é administrada por uma concessionária do poder público do estado X e não possui sinalização em certos trechos. Arnaldo alega justamente que não havia sinalização alguma, tampouco faixa de pedestre no trecho que precisou atravessar, próximo a sua residência. Pede, então, através de ação judicial uma indenização ao estado X e à Concessionária, por entender que não houve culpa exclusiva da vítima no acidente e que o estado X e a Concessionária são legítimos responsáveis pelos danos sofridos por ele. Nesse caso, é correto afirmar:

Gabarito: C

A responsabilidade civil do Estado e das concessionárias de serviço público, em regra, é objetiva: basta mostrar a conduta administrativa, o dano e o nexo causal. Isso vem do art. 37, § 6º, da Constituição, e também conversa com a lógica do art. 14 do CDC quando há falha na prestação do serviço. Em rodovias concedidas, a concessionária não é um figurante no contrato: ela responde em nome próprio pela má conservação, pela falta de sinalização e por defeitos na segurança do usuário. No caso narrado, a ausência de sinalização em trecho da rodovia é justamente o tipo de falha que pode caracterizar defeito do serviço. Se a estrada era administrada por concessionária e havia trechos sem sinalização adequada, a empresa pode ser responsabilizada objetivamente pelos danos causados ao usuário ou a terceiro atingido pelo risco da atividade. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firme de que concessionárias de rodovia respondem objetivamente por falhas na prestação do serviço, inclusive quando a precariedade da via contribui para o acidente. E o Estado, em situações semelhantes, também pode ser responsabilizado, sobretudo se houver omissão no dever de fiscalizar a execução da concessão. Ou seja: não é caso de jogar a culpa automaticamente para a vítima nem de excluir a concessionária da história. Por isso a alternativa C é a correta: ela traduz a ideia central de que há dever de indenizar quando o serviço concedido é prestado com defeito, especialmente por ausência de sinalização e manutenção adequadas. A questão quer testar exatamente isso: em rodovia concedida, o usuário não fica desamparado só porque o serviço foi terceirizado pelo Estado.

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