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Direito Administrativo · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Determinado servidor público da Prefeitura Municipal Beta, lotado na Coordenação do Setor de Compras, valendo-se de seu cargo, observou que a empresa que o seu amigo utilizava uniforme estava com Ata de Registro de Preços vigente em uma Autarquia deste Município, solicitando adesão a ela. Porém, antes de formalizar o processo, já havia acordado com o amigo a entrega dos produtos, considerando o baixo estoque do almoxarifado. No entanto, contatou-se que a empresa não era do seu amigo e, sim, da mãe dele. Para infortúnio dos envolvidos, ela, Microempreendedora Individual (MEI), faleceu antes de assinar os documentos necessários para a contratação, não deixando sequer uma procuração para o filho. Impossibilitado de receber o pagamento dos produtos entregues, ele ingressou com o pedido de reconhecimento de dívida, ensejando a abertura de Processo Administrativo Disciplinar contra o servidor efetivo. De acordo com a Nova Lei de Licitações, se os seguintes princípios tivessem sido observados não teria ensejado abertura de Processo Administrativo Disciplinar contra o servidor, EXCETO:

Gabarito: D

A Nova Lei de Licitações e Contratos (Lei 14.133/2021) trouxe um artigo próprio com os princípios aplicáveis às contratações públicas, e eles não estão ali por enfeite: servem para evitar improviso, favorecimento e confusão na gestão do dinheiro público. Entre eles estão moralidade, planejamento, impessoalidade e segregação de funções, todos muito cobrados em prova. No caso narrado, o servidor já combinou a entrega antes mesmo de formalizar o processo, o que mostra falta de planejamento e quebra da impessoalidade e da moralidade. Além disso, houve um cenário cheio de atalhos, contato informal e atuação fora do fluxo regular da contratação, exatamente o tipo de coisa que a lei tenta impedir. O ponto-chave da questão é perceber que a segregação de funções é um princípio voltado a dividir etapas e responsabilidades entre agentes diferentes, para reduzir risco de erro, fraude e concentração de poder. Ela aparece no art. 5º da Lei 14.133/2021, mas o problema descrito no enunciado não é simplesmente a ausência dessa divisão interna de tarefas. Por isso, a alternativa que foge do bloco de princípios diretamente comprometidos pela situação é a que trata da segregação de funções. As demais estão bem conectadas ao caso: moralidade, planejamento e impessoalidade foram claramente violados pela conduta do servidor.

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