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Direito Administrativo · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Determinado município foi atingido por uma tempestade de grande intensidade e imprevisibilidade que causou inundações e danos materiais generalizados. A Administração Pública, neste caso, tomou todas as medidas de prevenção e proteção adequadas, de acordo com as condições e informações que se encontravam disponíveis, contudo, graves danos ocorreram devido à força da natureza. Considerando a situação descrita, quanto à responsabilidade civil do Estado, pode-se considerar que:

Gabarito: A

Na responsabilidade civil do Estado, a regra é a responsabilidade objetiva: basta provar a conduta administrativa, o dano e o nexo causal, sem discutir culpa, como ensina o art. 37, § 6º, da CF. Mas atenção: nem todo dano gera dever de indenizar. Se o prejuízo decorre exclusivamente de força maior ou caso fortuito externo, sem ligação com uma atuação estatal defeituosa, o nexo causal desaparece. No enunciado, houve uma tempestade de grande intensidade, imprevisível e inevitável, e a Administração ainda adotou as medidas de prevenção e proteção que estavam ao seu alcance. Ou seja, o evento danoso veio da própria força da natureza, sem omissão específica do Município nem falha no serviço. Nessa hipótese, prevalece a exclusão da responsabilidade, porque faltou o vínculo causal entre a atuação estatal e o dano. A doutrina costuma tratar isso como excludente de responsabilidade por rompimento do nexo causal. Em prova, a banca geralmente quer que você separe responsabilidade objetiva de responsabilidade automática: o Estado não vira segurador universal de tudo o que acontece no mundo, por mais dramático que seja o estrago. Então, o gabarito está correto porque o dano resultou de evento natural extraordinário, imprevisível e inevitável, sem demonstração de omissão administrativa relevante. Sem nexo causal, não há dever de indenizar.

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