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Direito Administrativo · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Quanto aos princípios expressos e implícitos da administração pública, considerando o conceito de regime jurídico- -administrativo, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: E

O regime jurídico-administrativo é o conjunto de prerrogativas e sujeições que marca a atuação da Administração Pública. Em outras palavras: o Poder Público não joga com as mesmas regras do particular o tempo todo. Quando age em nome do interesse público, ele recebe poderes especiais, mas também fica preso a limites mais rígidos. É daí que surgem os chamados princípios do regime jurídico-administrativo, especialmente a supremacia do interesse público e a indisponibilidade do interesse público, muito trabalhados pela doutrina clássica, como Celso Antônio Bandeira de Mello. Entre os princípios constitucionais expressos do art. 37 da CF estão legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Além deles, a Administração também se submete a princípios implícitos, como razoabilidade, proporcionalidade, autotutela, motivação e segurança jurídica. Não existe hierarquia entre eles como se fossem degraus fixos: a ideia é de convivência e ponderação, não de superioridade formal de um sobre o outro. A letra E acerta ao lembrar que a indisponibilidade dos bens e interesses públicos é um dos pilares do regime jurídico-administrativo. Como a Administração não é dona do interesse público, ela não pode dispor dele livremente, nem abrir mão de certas providências sem autorização legal. Por isso, surgem sujeições como a exigência de licitação, que não é um capricho burocrático, mas uma forma de proteger a impessoalidade, a isonomia e a seleção da proposta mais vantajosa, nos termos do art. 37, XXI, da Constituição e da Lei 14.133/2021. Na prática, essa alternativa mistura bem a teoria do regime jurídico-administrativo com uma consequência concreta dele. A lógica é: se o interesse é público e indisponível, a Administração precisa seguir procedimentos e limites para contratar, alienar e gerir bens e interesses públicos. É exatamente esse raciocínio que a banca quer ver.

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