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Direito Administrativo · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Após o início de uma ação judicial de improbidade administrativa em face do servidor público José, ficou evidenciado e demonstrado pela administração pública que ele estava se valendo do cargo e da facilidade do acesso à repartição pública para ameaçar testemunhas relacionadas ao processo. Sendo assim, o juiz responsável pelo processo:

Gabarito: D

Em improbidade administrativa, o juiz não sai demitindo servidor como quem troca de cadeira. A lei prevê uma medida mais cuidadosa: o afastamento cautelar das funções, quando houver indícios de que a permanência no cargo pode atrapalhar a apuração ou o andamento do processo. A lógica é simples: proteger a investigação e o processo, sem antecipar uma punição definitiva antes da hora. Na Lei de Improbidade Administrativa, essa medida aparece como excepcional e provisória, exigindo demonstração concreta de risco ao regular andamento do feito. Não basta suspeita genérica ou vontade de punir antes do julgamento. É preciso comprovar que o agente, no exercício do cargo, pode prejudicar a instrução processual, por exemplo, pressionando testemunhas, destruindo provas ou usando a estrutura pública para embaraçar o processo. É exatamente o que ocorre no caso de José: ficou demonstrado que ele estava usando o cargo e o acesso à repartição para ameaçar testemunhas. Isso autoriza o juiz a afastá-lo cautelarmente das funções, enquanto durar a necessidade da medida, e não a decretar demissão, aposentadoria compulsória ou qualquer sanção definitiva sem sentença. A medida é cautelar, não penalidade final. Portanto, o gabarito está correto porque o juiz pode determinar o afastamento cautelar das funções quando houver prova de que o exercício do cargo prejudicará o regular andamento do processo. A ideia é preservar a higidez do processo, e não punir de antemão.

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