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Direito Administrativo · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Direito Administrativo

Durante fiscalização sanitária, os agentes públicos municipais competentes tomaram as medidas cabíveis; todavia, durante a atividade fiscal, proferiram, publicamente, adjetivos injuriosos em desfavor do comerciante. Pessoas que transitaram próximo ao local ouviram a fala do agente, espalhando a notícia de que o estabelecimento estava irregular, o que afetou severamente a reputação do comerciante. Diante do exposto, supondo que a conduta do agente tenha causado danos financeiros comprováveis, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Aqui a ideia central é a responsabilidade civil do Estado por ato de agente público. Pela Constituição, no art. 37, parágrafo 6o, a regra é a responsabilidade objetiva do Estado quando o dano decorre de conduta de seus agentes nessa qualidade. Isso significa que o particular não precisa provar culpa do fiscal, bastando mostrar a conduta, o dano e o nexo causal. Na situação da questão, os agentes até estavam exercendo fiscalização legítima, mas exageraram feio ao proferir ofensas públicas ao comerciante. Se dessas palavras surgiram prejuízos financeiros e abalo à reputação, o Estado pode responder porque o ato foi praticado no exercício da função e causou dano indenizável. Por isso, o gabarito é a letra C: os pressupostos são conduta, nexo causal e dano, sem necessidade de prova de culpa na relação entre Estado e particular. Depois, se houver dolo ou culpa do agente, a Fazenda Pública pode até propor ação regressiva contra ele, mas essa é outra história e não muda a responsabilidade perante a vítima. A doutrina e a jurisprudência do STF e do STJ tratam isso com a lógica do risco administrativo: o Estado responde objetivamente, salvo causas excludentes como culpa exclusiva da vítima, fato exclusivo de terceiro ou caso fortuito/força maior, quando realmente rompem o nexo causal.

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