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Direito Administrativo · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Ainda a respeito do controle da administração pública, julgue os itens seguintes. I. A administração pública pode anular os próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. II. A administração pública não pode revogar os próprios atos por motivo de conveniência ou oportunidade. III. Os atos discricionários da administração pública não podem ser objeto de apreciação judicial, especialmente quanto a seus aspectos de razoabilidade e proporcionalidade. Assinale a opção correta

Gabarito: A

Aqui o assunto é controle da Administração Pública e, principalmente, os poderes de autotutela. Isso significa que a própria Administração pode corrigir seus atos quando percebe que errou. Se o ato tiver vício de legalidade, ela pode anulá-lo, porque ato ilegal não deve continuar produzindo efeitos. Essa lógica está consagrada na Súmula 473 do STF e também aparece na Lei 9.784/1999, que trata do processo administrativo federal. Agora, atenção: anulação e revogação não são a mesma coisa. A anulação ataca o ato ilegal, enquanto a revogação retira um ato válido por motivo de conveniência e oportunidade. Então, dizer que a Administração não pode revogar os próprios atos está errado. Pelo contrário, ela pode revogar atos discricionários, desde que respeitados os limites legais e os direitos adquiridos. O terceiro item também escorrega. Atos discricionários podem sim ser examinados pelo Judiciário, só que o juiz não entra no mérito administrativo para escolher a melhor opção da Administração. O controle judicial alcança a legalidade e pode verificar se houve desvio, abuso, irrazoabilidade ou desproporcionalidade. Em outras palavras: o juiz não administra no lugar do administrador, mas pode barrar exageros. Por isso, o gabarito A está correto: somente o item I está certo. A Administração pode anular seus próprios atos ilegais, mas pode revogá-los quando forem inconvenientes ou inoportunos, e o Judiciário pode controlar a juridicidade dos atos discricionários, inclusive sob o prisma da razoabilidade e da proporcionalidade.

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