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Direito Administrativo · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito Administrativo

Um condenado preso em determinado presídio estadual morreu e, na semana seguinte, sem qualquer relação com o óbito ocorrido, outro preso fugiu e, na sequência, praticou um latrocínio. Nessa situação hipotética, o Estado poderá ser responsabilizado civilmente

Gabarito: C

A responsabilidade civil do Estado, em regra, é objetiva quando a pessoa sofre dano causado por agente público no exercício da função, com base no art. 37, § 6º, da Constituição. Mas, em matéria prisional, a jurisprudência do STF e do STJ faz uma leitura bem importante: a morte de preso sob custódia estatal pode gerar responsabilidade do Estado quando ficar demonstrada a falha no dever específico de proteção, isto é, quando houver omissão relevante na guarda, vigilância ou preservação da integridade do detento. Não é responsabilidade automática só porque a pessoa estava presa. A Administração pode responder, sim, mas é preciso mostrar que ela descumpriu esse dever de cuidado que tinha naquele caso concreto. Já no caso do preso que foge e depois comete um latrocínio, a lógica é parecida, só que o ponto central é o nexo causal entre a fuga e o crime posterior. O Estado não responde por qualquer crime praticado por foragido como se fosse uma culpa eterna e sem limites. É necessário demonstrar que o fato criminoso foi consequência direta da fuga, sem ruptura do nexo por circunstâncias autônomas. Em outras palavras: fuga não vira passe livre para indenização, mas também não exonera automaticamente o Estado se a fuga tiver relação direta com o dano. Por isso, o gabarito C está correto. Ele acerta ao dizer que, na morte do primeiro preso, a responsabilização depende da demonstração de inobservância do dever específico de proteção do Estado. E também acerta ao condicionar a responsabilização pelo latrocínio do segundo preso à prova de nexo causal direto entre a fuga e o crime praticado. É a combinação clássica que a banca gosta: omissão estatal + dever específico + nexo causal bem amarrado. Resumo para a prova: em preso sob custódia, não pense em responsabilidade automática nem em irresponsabilidade total. O examinador quer que você procure o dever de proteção e o nexo causal, principalmente quando o caso envolve morte na prisão ou crime cometido por fugitivo.

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