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Direito Administrativo · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Direito Administrativo

Arnaldo, supervisor de coleta e qualidade, ordenou a Fabrícia, agente de pesquisas e mapeamento, que ela adulterasse os dados da coleta de pesquisa de natureza estatística, a fim de beneficiar Pedro, primo de Arnaldo e prefeito da cidade, com dados estatísticos mais favoráveis à sua gestão. Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta à luz do disposto no Código de Ética do IBGE e na Lei n.º 8.112/1990.

Gabarito: A

A questão mistura dois pontos clássicos: hierarquia e legalidade. No serviço público, hierarquia não é cheque em branco para fazer qualquer coisa; o servidor deve cumprir ordens superiores, mas não quando elas forem manifestamente ilegais. Isso está na Lei n.º 8.112/1990, que traz o dever de representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder e, ao mesmo tempo, preserva a responsabilidade do servidor quando a ordem é evidentemente ilícita. No caso, Arnaldo mandou adulterar dados estatísticos para favorecer um prefeito. Aqui não há dúvida: a ordem é claramente ilegal e ainda afronta a ética e a finalidade do serviço público. O Código de Ética do IBGE reforça a necessidade de honestidade, integridade, imparcialidade e compromisso com a fidedignidade dos dados produzidos pelo Instituto. Dado estatístico não é enfeite de campanha, é informação pública séria. Por isso, Fabrícia deve recusar o cumprimento da ordem e não pode se esconder atrás da hierarquia. Servidor público não tem dever de obedecer ordem manifestamente ilegal; ao contrário, deve se opor a ela e, se cabível, comunicar a irregularidade pelos canais próprios. Em linguagem de prova: hierarquia existe, mas não faz milagre contra a legalidade.

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