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Matemática Financeira · FGV · 2023

Questão comentada de Matemática Financeira

Uma organização possui valores a receber decorrentes de vendas a prazo. Ela tem R$ 100.000,00 a receber daqui a 30 dias, mas está sem caixa no momento e precisa de recursos financeiros imediatamente. Dessa maneira, solicita junto a um banco uma operação de desconto comercial simples, a partir de qual e recebe R$ 90.000,00 hoje. Desconsidere qualquer outro imposto ou custo nessa operação Dessa maneira, a taxa de juros nominal efetiva cobrada pelo banco é:

Gabarito: C

Aqui mora uma das pegadinhas clássicas de Matemática Financeira: desconto comercial simples não é a mesma coisa que taxa de juros efetiva. No desconto comercial, o banco calcula o desconto sobre o valor nominal do título, isto é, sobre os R$ 100.000,00 que vencerão no futuro. Como a empresa recebeu R$ 90.000,00 hoje, o desconto foi de R$ 10.000,00 em 30 dias. Se você olhar só para a fórmula do desconto comercial simples, terá d = D/N = 10.000/100.000 = 10% ao mês. Mas a questão não quer a taxa de desconto, e sim a taxa de juros nominal efetiva cobrada pelo banco. Aqui, o que importa é comparar o ganho do banco com o dinheiro efetivamente emprestado, que foi R$ 90.000,00. Então a taxa efetiva é i = 10.000/90.000 = 0,1111..., ou seja, 11,11% ao mês. É por isso que o gabarito é a letra C. Em termos práticos: o banco entregou 90 e vai receber 100 depois de 30 dias, então o custo real do dinheiro para a empresa foi maior do que a taxa de desconto anunciada. Essa diferença entre taxa de desconto e taxa efetiva é um ponto muito cobrado em provas da FGV. A lógica é simples: no desconto comercial, o banco “cobra adiantado” sobre o valor cheio do título, então a taxa efetiva sempre fica maior do que a taxa de desconto quando você mede o custo sobre o valor recebido.

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