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Matemática Financeira · FGV · 2022

Questão comentada de Matemática Financeira

Uma sociedade empresária, que utiliza capital de terceiros proveniente de bancos, projeta o fluxo de caixa livre ao acionista que deverá ser gerado por meio de um investimento que visa a trocar um ativo imobilizado por outro mais produtivo. Para o cálculo correto do Valor Presente Líquido (VPL) desse projeto, a sociedade empresária deverá descontar esses fluxos futuros pelo(a):

Gabarito: C

O Valor Presente Líquido (VPL) sempre nasce de uma pergunta simples: qual taxa faz sentido para trazer os fluxos futuros para hoje? A resposta depende de quem está recebendo o fluxo. Se o projeto gera fluxo de caixa livre ao acionista, estamos olhando para o dinheiro que sobra depois de pagar a dívida e remunerar os credores. Portanto, o desconto deve refletir o custo exigido pelo acionista, isto é, o custo de capital próprio. É aqui que muita gente tropeça: como a empresa usa capital de terceiros, parece intuitivo pensar em juros bancários ou em uma média entre fontes de financiamento. Mas o que importa é a natureza do fluxo. Fluxo de caixa livre ao acionista deve ser trazido a valor presente pela taxa que o acionista exige para investir, pois é ele quem efetivamente recebe esse fluxo. Em finanças corporativas, essa é a lógica clássica: fluxo de caixa livre da firma costuma ser descontado pelo WACC, enquanto fluxo de caixa livre ao acionista é descontado pelo custo do capital próprio. Essa distinção é cobrada com frequência em banca porque ela separa o ponto de vista da empresa como um todo do ponto de vista do sócio. Assim, como o enunciado fala expressamente em fluxo de caixa livre ao acionista, a taxa adequada para o VPL é o custo de capital próprio. A alternativa C está correta por respeitar exatamente essa correspondência entre tipo de fluxo e taxa de desconto.

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