Uma sociedade empresária, que utiliza capital de terceiros proveniente de bancos, projeta o fluxo de caixa livre ao acionista que deverá ser gerado por meio de um investimento que visa a trocar um ativo imobilizado por outro mais produtivo. Para o cálculo correto do Valor Presente Líquido (VPL) desse projeto, a sociedade empresária deverá descontar esses fluxos futuros pelo(a):
- A)custo médio ponderado de capital;
Errada, porque o custo médio ponderado de capital é usado quando você desconta o fluxo de caixa livre da firma, e não o fluxo disponível apenas ao acionista.
- B)custo de capital de terceiros;
Errada, porque o custo de capital de terceiros representa o custo da dívida, mas não é a taxa adequada para descontar o fluxo que sobra para os acionistas.
- C)custo de capital próprio;
Certa, porque o fluxo de caixa livre ao acionista deve ser descontado pelo custo de capital próprio, que é a taxa exigida pelos sócios.
- D)depreciação;
Errada, porque depreciação é uma despesa contábil e não uma taxa de desconto financeira.
- E)inflação.
Errada, porque inflação pode influenciar taxas nominais, mas não substitui a taxa de desconto apropriada do projeto.
Gabarito: C
O Valor Presente Líquido (VPL) sempre nasce de uma pergunta simples: qual taxa faz sentido para trazer os fluxos futuros para hoje? A resposta depende de quem está recebendo o fluxo. Se o projeto gera fluxo de caixa livre ao acionista, estamos olhando para o dinheiro que sobra depois de pagar a dívida e remunerar os credores. Portanto, o desconto deve refletir o custo exigido pelo acionista, isto é, o custo de capital próprio. É aqui que muita gente tropeça: como a empresa usa capital de terceiros, parece intuitivo pensar em juros bancários ou em uma média entre fontes de financiamento. Mas o que importa é a natureza do fluxo. Fluxo de caixa livre ao acionista deve ser trazido a valor presente pela taxa que o acionista exige para investir, pois é ele quem efetivamente recebe esse fluxo. Em finanças corporativas, essa é a lógica clássica: fluxo de caixa livre da firma costuma ser descontado pelo WACC, enquanto fluxo de caixa livre ao acionista é descontado pelo custo do capital próprio. Essa distinção é cobrada com frequência em banca porque ela separa o ponto de vista da empresa como um todo do ponto de vista do sócio. Assim, como o enunciado fala expressamente em fluxo de caixa livre ao acionista, a taxa adequada para o VPL é o custo de capital próprio. A alternativa C está correta por respeitar exatamente essa correspondência entre tipo de fluxo e taxa de desconto.