Durante uma aula de biologia no ensino médio, um professor utiliza terminologia científica complexa para explicar processos celulares. Um intérprete de Libras está presente para traduzir as explicações do professor para alunos surdos, garantindo que eles compreendam o conteúdo acadêmico de forma equivalente aos colegas ouvintes. Acerca do assunto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas: (__)A interpretação simultânea em Libras é sempre preferível em contextos educacionais, pois permite que os alunos surdos acompanhem o conteúdo em tempo real, sem atrasos na comunicação. (__)A tradução de materiais didáticos do português para Libras deve considerar as diferenças estruturais entre as duas línguas, adaptando o conteúdo para manter a equivalência semântica e cultural. (__)O intérprete de Libras deve possuir conhecimento aprofundado do conteúdo específico da disciplina para garantir uma interpretação precisa e eficaz. (__)A presença de um intérprete de Libras em sala de aula elimina a necessidade de adaptações pedagógicas adicionais para alunos surdos, já que a comunicação é plenamente garantida. A sequência está correta em:
- A)V − F − F − F.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas estão incorretas, enquanto a terceira e a quarta não podem ser tomadas como todas verdadeiras.
- B)F − V − V − F.
Correta, pois a primeira é falsa, a segunda é verdadeira, a terceira é verdadeira e a quarta é falsa.
- C)V − V − V − V.
Errada, porque as afirmativas não são todas verdadeiras; há pelo menos duas incorretas no enunciado.
- D)F − F − V − V.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira e a primeira não é verdadeira, invertendo a sequência correta.
Gabarito: B
Em contexto escolar, a atuação do intérprete de Libras não é um “modo automático” de resolver tudo, nem é só repetir palavra por palavra. Ele trabalha para garantir acesso linguístico ao conteúdo, respeitando as diferenças entre Libras e português, que têm estruturas bem distintas. Por isso, tradução e interpretação exigem adaptação, escolha lexical adequada e atenção ao sentido, à cultura e ao nível de escolaridade do aluno. A primeira afirmativa é falsa porque a interpretação simultânea nem sempre é a melhor opção em sala de aula. Em ambiente educacional, muitas vezes é preciso alternar entre interpretação simultânea e consecutiva, fazer pausas, esclarecer termos e acompanhar a dinâmica da aula para manter a compreensão. A pressa sem estratégia pode virar ruído, e não ensino. A segunda é verdadeira: traduzir materiais do português para Libras exige considerar equivalência semântica e cultural, e não apenas trocar sinais. Isso está alinhado com a visão de tradução/interpretação como mediação entre línguas diferentes, preservando sentido e acessibilidade. A terceira também é verdadeira, porque o intérprete precisa conhecer o conteúdo específico para interpretar termos técnicos com precisão; sem isso, a mensagem pode sair “meio biologia, meio charada”. A quarta é falsa porque a presença do intérprete não elimina a necessidade de adaptações pedagógicas. A inclusão escolar vai além da tradução em Libras: envolve recursos visuais, metodologias adequadas, materiais acessíveis e planejamento docente. Esse entendimento conversa com a LBI (Lei 13.146/2015) e com o Decreto 5.626/2005, que reforçam a acessibilidade e o atendimento educacional adequado aos estudantes surdos. Assim, a sequência correta é F - V - V - F, exatamente a letra B.