Durante uma sessão ordinária em determinada Câmara Municipal, uma equipe de tradutores e intérpretes de Libras/língua portuguesa atua para garantir a acessibilidade comunicativa do evento. Durante o debate, os intérpretes precisam ajustar continuamente suas escolhas tradutórias conforme o tom dos discursos, o contexto político e as interações entre os vereadores e a população presente. Esse cenário ilustra o que os estudos da tradução em Libras consideram como a aplicação de uma perspectiva dialógica, que reconhece a necessidade de adaptação dinâmica e interativa na construção de significados. Sobre a perspectiva dialógica no contexto da tradução e interpretação da língua de sinais, conforme o caso hipotético apresentado, é INCORRETO afirmar que a perspectiva dialógica:
- A)Propõe que a tradução seja totalmente literal para garantir a fidelidade ao discurso.
Errada, porque a perspectiva dialógica não defende tradução totalmente literal, mas sim adaptação contextual e construção interativa de sentidos.
- B)Permite que o intérprete interaja de forma dinâmica com as necessidades do público.
Certa, porque a atuação do intérprete nessa perspectiva leva em conta as necessidades comunicativas do público e o contexto da interação.
- C)Sugere que o intérprete atue como coautor, participando da construção dos sentidos.
Certa, porque o intérprete participa da mediação e da construção dos sentidos, sem ser um transmissor mecânico.
- D)Considera que a tradução é uma prática social que demanda flexibilidade interacional.
Certa, porque a tradução e a interpretação são tratadas como prática social, dependente de flexibilidade interacional.
- E)Reconhece que a interpretação envolve adaptações contextuais no processo tradutório.
Certa, porque a interpretação em Libras exige ajustes conforme o contexto, o discurso e os interlocutores.
Gabarito: A
A perspectiva dialógica na tradução e interpretação em Libras entende que o sentido não nasce pronto e imóvel. Ele é construído na interação entre intérprete, pessoas surdas, ouvintes, contexto, finalidade comunicativa e até o clima da situação. Em uma sessão da Câmara, por exemplo, o intérprete não faz uma simples troca mecânica de palavras: ele ajusta escolhas conforme o discurso, o ambiente político e o público presente. Isso significa que a interpretação é uma prática social e situada. O profissional precisa considerar intenção, tom, registro, implícitos e efeitos de sentido, sempre preservando a fidelidade ao conteúdo e à função comunicativa, mas sem cair na ideia de tradução palavra por palavra. A doutrina da tradução e interpretação de língua de sinais, especialmente em abordagens discursivas e socioculturais, reforça esse caráter interativo e contextual. Por isso, a alternativa A está incorreta. Dizer que a perspectiva dialógica propõe tradução totalmente literal é contrariar a própria lógica dessa abordagem, porque o trabalho do intérprete exige flexibilidade, negociação de sentidos e adaptação ao contexto. Literalidade absoluta pode até parecer “segura”, mas em Libras ela frequentemente empobrece a comunicação e não garante, por si só, a melhor equivalência comunicativa. As demais alternativas estão alinhadas com essa visão: o intérprete atua dinamicamente, pode participar da construção dos sentidos e reconhece que interpretar é uma atividade contextual e interacional. Em concursos, quando aparecer “perspectiva dialógica”, pense logo em interação, mediação e construção compartilhada de significado, não em tradução engessada.