“Por que a educação bilíngue é importante para pessoas surdas? (...) é importante para a recuperação de suas memórias históricas, a reafirmação de suas identidades e especificidades e a valorização de sua língua e cultura, o que ainda não acontece da maneira devida em nosso país.” (Educação bilíngue para pessoas surdas: tudo o que você precisa saber. Hand Talk por Rose Bertaglia) De acordo com a lei, a educação bilingue de surdos é a modalidade de educação escolar
- A)oferecida em português escrito como primeira língua, e em Libras, como segunda língua.
Errada, porque inverte a ordem legal e pedagógica das línguas, colocando o português escrito como primeira língua.
- B)oferecida em Libras, como primeira língua, e em português escrito, como segunda língua.
Certa, pois a lei prevê a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua na educação bilíngue de surdos.
- C)que oferece serviço de apoio educacional especializado, como o AEE bilíngue, somente para alunos com deficiências.
Errada, porque AEE bilíngue é apoio complementar e não define, sozinho, a modalidade de educação bilíngue.
- D)oferecida na educação infantil, para atender as especificidades motoras dos alunos.
Errada, pois a educação bilíngue de surdos não se limita à educação infantil nem tem foco em especificidades motoras.
- E)oferecida, especificamente em Libras, para alunos surdos oralizados.
Errada, porque a modalidade não é exclusiva para alunos oralizados e não se restringe apenas ao uso de Libras sem o português escrito.
Gabarito: B
A educação bilíngue de surdos parte de uma ideia simples e muito importante: a pessoa surda tem direito de aprender pela sua língua natural, que é a Libras, e depois acessar o português escrito como outra língua. Isso não é um detalhe de método, é reconhecimento de identidade, cultura e desenvolvimento linguístico. Quando a escola respeita isso, ela deixa de tratar a diferença como problema e passa a enxergar a surdez como uma forma própria de existir no mundo. Na legislação brasileira, a Educação Bilíngue de Surdos foi fortalecida pela Lei nº 14.191/2021, que alterou a LDB e definiu essa modalidade como aquela em que a Libras é a primeira língua e o português escrito é a segunda língua. Ou seja, a língua de instrução e circulação principal é a Libras, e o português entra como língua adicional, especialmente na modalidade escrita. É por isso que o gabarito é a letra B. A banca cobra exatamente essa ordem linguística: primeiro Libras, depois português escrito. Se você inverter isso, cai no erro clássico de achar que o bilíngue para surdos começa pelo português, quando a lógica pedagógica e legal é proteger o acesso pleno à aprendizagem pela língua de sinais. Em resumo: educação bilíngue de surdos não é “ensinar Libras por cima” nem “adaptar um português simplificado”. É garantir uma escolarização que respeita a língua de sinais como base e o português escrito como segunda porta de entrada para o conhecimento.