Lacerda (2010) aponta que muitos autores defendem a ideia de que tradução e interpretação são conceitos que se remetem a tarefas distintas. Segundo a autora, as tarefas próprias da interpretação envolvem:
- A)consultas a dicionários, livros ou pessoas na busca de trazer sentidos mais adequados
Errada, porque consultar dicionários, livros ou outras fontes é típico do trabalho de tradução, que permite pesquisa e revisão com tempo.
- B)trabalhos nas relações interpessoais, simultaneamente, em curto espaço de tempo
Certa, pois a interpretação ocorre de forma simultânea, em contexto interacional e com resposta rápida ao discurso em andamento.
- C)tradução de um audiovisual com Libras para texto escrito
Errada, porque converter audiovisual em texto escrito é uma atividade de tradução/adaptação textual, não de interpretação ao vivo.
- D)trabalhos com o texto escrito para passá-lo para Libras
Errada, porque transformar texto escrito em Libras também se relaciona à tradução, não às tarefas próprias da interpretação.
Gabarito: B
Lacerda (2010) destaca uma distinção clássica: traduzir e interpretar não sao a mesma coisa, embora as duas atividades trabalhem com passagem de sentido entre linguas. Na tradução, voce costuma lidar com um texto mais estável, com tempo para consulta, revisão e escolha de equivalentes. Já na interpretação, tudo acontece ao vivo, com rapidez, interação humana e pressão de tempo. É quase o modo "frio" versus o modo "em tempo real" do trabalho linguístico. Por isso, quando a questão fala das tarefas próprias da interpretação, ela aponta para atividades que envolvem relações interpessoais, simultaneidade e curto espaço de tempo. O intérprete precisa compreender, reformular e transmitir a mensagem no mesmo fluxo da comunicação, muitas vezes sem poder parar para consultar dicionários ou reescrever com calma. O gabarito é a letra B porque descreve exatamente esse cenário: trabalho nas relações interpessoais, simultaneamente, em curto espaço de tempo. Isso é a cara da interpretação, especialmente na atuação do intérprete de Libras, que acompanha a interação em tempo real entre pessoas surdas e ouvintes. As alternativas A, C e D trazem características mais ligadas à tradução escrita ou à mediação com texto, e não ao ato interpretativo propriamente dito. Em provas, a banca costuma testar justamente essa diferença de ritmo e de suporte: se há tempo para lapidar o produto, tende a ser tradução; se é ao vivo e imediato, tende a ser interpretação.