A atuação do intérprete de Libras em contextos educacionais exige conhecimento técnico, postura ética e estratégias comunicacionais eficientes. Considerando esses aspectos, pode-se afirmar:
- A)O intérprete deve manter a neutralidade ao interpretar, garantindo que o conteúdo seja transmitido sem interferências pessoais ou subjetivas.
Certa, porque o intérprete deve preservar o conteúdo da mensagem com neutralidade e fidelidade, sem inserir opinião ou interferência pessoal.
- B)Tem liberdade para modificar o conteúdo da mensagem caso acredite que a informação será melhor compreendida pelo aluno surdo.
Errada, porque o intérprete não pode modificar o conteúdo por conta própria, mesmo achando que assim o aluno entenderia melhor.
- C)Deve substituir o professor quando necessário, assumindo a explicação dos conteúdos em Libras.
Errada, porque o intérprete não substitui o professor nem assume a explicação do conteúdo, já que sua função é mediar a comunicação.
- D)Pode adaptar o discurso do professor conforme sua experiência pessoal, garantindo maior fluidez na comunicação.
Errada, porque adaptar o discurso segundo experiência pessoal distorce a mensagem original e compromete a fidelidade da interpretação.
Gabarito: A
Na interpretação em Libras no contexto educacional, o intérprete não é um segundo professor nem um “reformulador oficial” do conteúdo. O papel dele é mediar a comunicação com fidelidade, clareza e ética, preservando o sentido da mensagem original para que o aluno surdo tenha acesso ao que foi dito em sala. Em outras palavras: ele traduz, não inventa, não corrige e não “melhora” o discurso por conta própria. Por isso, a postura de neutralidade é central. Isso não significa frieza ou distância humana, mas sim não interferir no conteúdo com opiniões pessoais, julgamentos ou adaptações subjetivas. O intérprete deve reproduzir a mensagem com o máximo de equivalência possível, respeitando o falante, o interlocutor e o contexto. A prática profissional é orientada por princípios éticos da profissão e pela necessidade de garantir acesso linguístico, não substituição pedagógica. No ambiente escolar, a função do intérprete também não é assumir o lugar do professor. Quem ensina é o docente; quem interpreta é o profissional de Libras. Se houver necessidade de ajuste linguístico, isso deve ocorrer sem alterar o sentido da informação e sem tomar para si o papel de explicador do conteúdo. A boa interpretação ajuda a aula a acontecer, mas não “vira” a aula. Assim, o gabarito A está correto porque descreve exatamente essa exigência técnica e ética: transmitir o conteúdo sem interferências pessoais ou subjetivas. Esse entendimento está em sintonia com a formação e a atuação profissional previstas na legislação da Libras, especialmente a Lei 10.436/2002 e o Decreto 5.626/2005, além dos princípios éticos que regem a interpretação.